segunda-feira, 8 de julho de 2013

Paulo Pedro : ” Não culpabilizo ninguém”

paulo pedro
Paulo Pedro abandonou o comando técnico do Caldas esta semana. Numa entrevista ao nosso site o treinador explica os motivos de saída do clube caldense. Paulo Pedro não guarda resentimentos de ninguém e aguarda por convites, seja em Portugal ou de África, país em que trabalhado nos últimos anos.
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O que o levou a aceitar o convite do Caldas?
Como deve calcular para aceitar este desafio um dos pontos essenciais era perceber qual o projecto desportivo que o clube tinha para a época 2013/14, e perceber se o mesmo era exequível e se se enquadrava na minha forma de pensar e trabalhar.
Encontrei uma direcção e um Presidente determinados, confiantes e ambiciosos na defesa de um Projecto novo e de mudança para o Caldas SC, um projecto que, embora ambicioso, era simples e objectivo assentando em 2 pontos fundamentais: Mudar, e principalmente evoluir, para criar uma equipa competente e competitiva e estruturas de enquadramento da mesma mais funcionais, profissionais e capazes de promover um salto qualitativo no funcionamento geral do Futebol no Caldas SC; Consolidar a equipa na 2ªDivisão B (agora, CNS) e promover a sua evolução sustentada no futuro.
Tendo o Projecto uma matriz de mudança e evolução isso implicaria não só uma alteração de mentalidades como, obrigatoriamente a implementação de novos Métodos de Trabalho, Treino, Jogo, Planeamento adequado, optimização de estruturas e naturalmente uma análise cuidada ao plantel actual.
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Quais as razoes que ditaram a sua saída?
Contrariamente ao que se vem dizendo, até na comunicação social, não culpabilizo ninguém e não reduzo as razões da minha saída à incapacidade da direcção em conseguir reforços.
Não tenho de um projecto desportivo uma visão tão redutora capaz de resumir o funcionamento, gestão e enquadramento de uma equipa de futebol a simples questões de reforços e dispensas. Sendo muito importantes não podem ser nunca exclusivos. Pelo contrário são parte de uma equação muito mais alargada. Um Projecto Desportivo é algo abrangente e implica ponderar muitas outras questões, não só intrínsecas à equipa como de enquadramento da mesma. É o conjunto de todos estes parâmetros que vai definir a exequibilidade do projecto e determinar o seu grau de sucesso.
Entendi que ao longo deste percurso alterações na estrutura levaram a uma perca de convergência entre as nossas ideias e a uma quebra na determinação de levar avante o Projecto Inicialmente traçado.
Como disse não culpabilizo ninguém, a direcção é um órgão do clube legitimamente eleito e por isso com autoridade para escolher o caminho que entende, tal como eu me reservo o direito de avaliar e analisar as condições que me são dadas. Assim sendo entendi que não estavam reunidas as condições de consenso necessárias para implementar o projecto inicialmente discutido.
Tão simples quanto isto. Divergência de ideias e opções quanto ao caminho a seguir.
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Há muita gente da cidade que ficou admirada da dispensa de alguns jogadores fundamentais na época passada, essa decisão passou por si ou pela direção?
Como deve calcular foi por mim feita uma avaliação prévia ao plantel actual. Disse quais as posições a reforçar e o que considerava prioritário. Transmiti essa avaliação ao clube e na maioria dos casos as conclusões foram coincidentes. Nesta base começámos a trabalhar.
Como é natural foi definido um perfil de atleta que se enquadrasse no Projecto e Modelo de Jogo e Treino a seguir. Nessa sequência tivemos de fazer escolhas e assumir opções.
Por razões diversas prescindimos de uns, mantivemos outros e identificámos reforços.
Tão simples quanto isso e idêntico ao que se passa todas as épocas em dezenas de clubes.
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O que falhou?
Não sei se houve falhas, como disse houve a determinada altura por parte do clube uma opção que não era coincidente com a minha e como tal entendi que o melhor era demitir-me.
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Projetos para o futuro?
Projectos haverão sempre. Houve outras oportunidades antes de optar pelo Caldas SC e haverá certamente outras após o Caldas SC. Aqui ou de volta a África, certamente surgirá um projecto válido e consistente para abraçar.
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Sente-se enganado pela direção?
Enganado nunca, não coloco as coisas nesse patamar. Tenho o maior respeito e consideração pela instituição, adeptos e em particular pelo seu Presidente, da parte do qual sempre senti o mesmo. Como disse houve ao longo do processo um afastamento quanto às ideias base do projecto. Somente isso.
Fico apenas triste porque penso que tínhamos um projecto muito válido, essencial para o clube e com um grau de sucesso previsível elevado.
Houve intenção de parte a parte para a sua saída ou partiu mesmo de si essa vontade?
Penso que já respondi a esta pergunta. Com a frontalidade que sempre coloquei na minha passagem pelo Caldas assumi as discordâncias e divergências e a impossibilidade de continuarmos este percurso juntos. Gostaria somente de agradecer a oportunidade que me deram, muito em particular ao seu Presidente, de quem guardo grande respeito e consideração e desejar ao Clube, aos seus adeptos e equipa os maiores sucessos desportivos na época que se avizinha.
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Defende o profissionalismo no CN Seniores?
O novo modelo competitivo criado com o Campeonato Nacional de Séniores abre um janela de oportunidades a todos os clubes que evitaram a queda nos Campeonatos Distritais. Estes clubes deverão ter a percepção que esta passagem para o CNS é mais que uma simples subida de divisão, é a oportunidade de dar ao clube uma outra dimensão e terão de olhar para esta promoção não como um fim mas como o princípio de novas oportunidades. Isso deverá levar os clubes a repensar o seu Modelo, alterar mentalidades e encontrar caminhos para evoluir e consolidar o clube neste patamar. Ao contrário do que se possa pensar iniciar esta mudança rumo a uma estrutura profissional não é nenhuma empreitada impossível e/ou de custos desmesurados. Pelo contrário implica apenas determinação e vontade para se romper com o conforto de soluções instaladas e já esgotadas.
Isto são passos seguros e que não implicam esforços financeiros desmesurados nem mudanças radicais nas estruturas dos clubes, teria isso sim de se procurar uma optimização e racionalização de meios e estruturas. Um clube não é uma estrutura fechada e estanque, pelo contrário deve ser encarada como algo em constante evolução e procura de novos objectivos que desafiem a estagnação e promovam uma busca constantes pela excelência e pelo sucesso.
A consolidação das equipas num patamar superior irá permitirá aos clubes (atletas e estrutura) ganhar experiência e capacidade para lidar com uma realidade competitiva substancialmente diferente e garantir bases para um crescimento consolidado num futuro próximo.
 
O Derbie

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